sábado, dezembro 22, 2012

NO FINALZINHO, BARBOSA PEITO DE AÇO AMOLECEU O CORAÇÃO E LIBEROU OS CONDENADOS NO MENSALÃO




BARBOSA REJEITA PRISÃO IMEDIATA DE CONDENADOS
Agência Estado
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, negou nesta sexta-feira (21) a prisão imediata de 25 condenados no processo do mensalão. Barbosa rejeitou o pedido feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para mandar os culpados na ação penal para a cadeia. O chefe do Ministério Público Federal sustentou em agosto, no início do julgamento, que a prisão logo após as condenações visa a evitar eventuais recursos que só têm objetivo de atrasar o cumprimento das penas.
Numa decisão de três páginas, Joaquim Barbosa citou o julgamento de um habeas corpus de 2009 pelo Supremo em que foi negada a prisão antes do fim de todos os recursos cabíveis. Na ocasião, ele foi voto vencido. "Por conseguinte, segundo a atual orientação do plenário do Supremo Tribunal Federal, até o trânsito em julgado da condenação, só há espaço para a prisão de natureza cautelar", afirmou.
O presidente do STF observou que os embargos podem levar, em tese, a mudanças na decisão e disse não ser possível presumir, de antemão, que os condenados usarão os recursos apenas de maneira protelatória. Ele ressaltou que os passaportes já foram apreendidos e foi determinado que os condenados tenham de pedir autorização ao Supremo para deixar o País.
Na última sessão de julgamento do processo, na segunda-feira, o procurador-geral recuou da intenção inicial de cobrar a decisão do plenário. "Quero aguardar a conclusão do julgamento, aí farei (o pedido) por uma petição que exporá de forma mais adequada a pretensão do Ministério Público e seus fundamentos. Mas apenas após a conclusão do julgamento", anunciou.
Gurgel apresentou o pedido, por escrito, na noite de quarta-feira (19). O teor da manifestação, de 20 páginas, não foi divulgado pelo procurador-geral. Dos 25 condenados no processo, 11 foram condenados a prisão em regime inicialmente fechado, outros 11, em regime semiaberto, dois cumprirão penas alternativas e um em regime aberto. (Agência Estado)

quinta-feira, dezembro 20, 2012



 
 

Lauriete concede entrevista ao Jornal Anoticia e desabafa: “Não permitirei que ataquem minha honra”.

A cantora Lauriete fala de seus 30 anos de ministério, sua carreira política e sobre sua vida pessoal, que está sendo invadida por algumas pessoas inescrupulosas, e desabafa: "Não permitirei que ataquem minha honra".

Numa entrevista inédita, a cantora Lauriete, considerada uma das mais influentes cantoras gospel do Brasil, fala ao pastor Joel Freire sobre sua carreira, o lançamento do novo CD, de sua trajetória política e sobre os comentários que envolvem sua vida pessoal.
Anotícia – Deputada e cantora Lauriete, é um prazer ter você aqui, falando um pouco de sua vida para o Jornal Anotícia.
Lauriete – Parabéns ao Jornal Anotícia, ao pastor Joel Freire, pelo trabalho que vem fazendo, pela dedicação em manter o povo informado e ajudando na divulgação da Palavra de Deus.
Seu ministério tem sido uma marca registrada dos pentecostais no Brasil. Houve alguma inspiração para este estilo ou fluiu de forma natural?
Eu canto desde os cinco anos de idade, eu acredito que com essa idade não tem como ser influenciada. Quando se fala de estilo, acho que isso acontece naturalmente mesmo, aos poucos a gente vai se descobrindo.
Como tem sido para você esta experiência de assumir um mandato federal e conciliar esse mandato com seu ministério?
Meu ministério é uma benção e ser um canal para abençoar vidas não tem nada igual. O fato de ter sido escolhida para representar o povo capixaba na Câmara Federal é gratificante e ser útil para o meu Estado e para o meu país é maravilhoso.
Na verdade, são quase dois anos de um enfrentamento para defender os direitos do nosso povo: os royalties, que estão tentando tirar de nós, o FUNDAP, que já perdemos, mas não nos conformamos porque sabemos que são direitos nossos. Há uma obstinação que parece até de propósito para nos prejudicar.Temos uma bancada pequena, mas aguerrida e vamos lutar até o final.
Eu convido as pessoas a acompanharem o meu mandato pelo meu site ou pelo site da Câmara Federal para conhecerem os projetos importantes que tenho na defesa da mulher e da criança, como também outros projetos relevantes que visam beneficiar o cidadão brasileiro.
Realmente, não é tão fácil conciliar tanta coisa, mas há tempo para tudo. No meio da semana, estou em Brasília e nos finais de semana, atendo minhas agendas pelo Brasil.
Cremos que nesses 30 anos de carreira foram muitos testemunhos de pessoas que alcançaram um favor do Senhor por intermédio do teu louvor. Conte-nos como é viver essa experiência:
Realmente existem muitas pessoas que testemunham o que Deus fez em suas vidas através das nossas canções, mas é difícil enumerar ou até mesmo destacar alguma aqui. São muitas as experiências com Deus. Fico realmente maravilhada em saber que Deus me escolheu para ser um instrumento Seu para abençoar vidas e isso não tem preço. Eu mesma sou um milagre de Deus. Vou contar uma coisa pra você aqui no Jornal Anotícia, que muita gente não sabe.
Eu sempre conto sobre o livramento que Deus me deu quando sofri um acidente de ônibus em 1981, onde morreram 12 pessoas da nossa igreja. O ônibus caiu de aproximadamente 149 metros de altura em Campinho, região Serrana de Domingos Martins no Espírito Santo. Deus me livrou da morte. Agora, depois de 31 anos que aconteceu esse acidente, eu descobri que o meu milagre foi ainda maior, no dia 30 de outubro deste ano fui submetida a uma cirurgia para retirada das duas últimas vértebras da minha coluna vertebral. Há muitos anos sofria com uma dor muito forte que me incomodava, mas como eu viajo muito tempo sentada, a dor estava aumentando cada dia mais. Então foi descoberto que isso também foi uma consequência desse acidente há 31 anos. O médico me disse que o impacto foi tão forte que fez as duas vétebras se desprenderem da minha coluna e que se fosse algumas vértebras acima, eu estaria numa cadeira de rodas. Incrível, Deus sempre nos surpreende. Ele nos livra de tantas coisas que a gente não toma conhecimento, por isso temos que agradecer a Deus todos os dias sem nos cansarnos, mesmo pelas bençãos e vitórias que não vemos, mas que temos a certeza de que elas sempre nos acompanham.
Enfim, você chega à marca de 27 discos lançados e o mais novo álbum “Tô na Mão de Deus” estourado no Brasil. Como foi a escolha do repertório para este CD?
Bem, na verdade o CD “Tô na Mão de Deus” é um repertório especial. É um CD comemorativo pelos 30 anos de carreira. As canções que compõem este CD são aquelas que marcaram época, fizeram história e, com certeza, fizeram a diferença na vida de muita gente, inclusive na minha. Algumas canções são de CDs atuais e outras de discos que gravei há alguns anos, mas que contém uma mensagem especial em qualquer época.
Desafios é algo que você sempre soube lidar muito bem, mas eu acredito que em uma carreira de 30 anos você deve ter visto muitas coisas boas e algumas desagradáveis também, como críticas, calúnias, enfim, todos que estão em uma posição de destaque como você, acabam enfrentando. De que forma você vê isso?
Pastor Joel, você me fez uma pergunta um tanto interessante e eu aproveito para tocar nesse assunto que veio num momento oportuno e durante o decorrer da nossa conversa você vai entender. A nossa vida é feita de desafios, mas eu não acho que sei enfrentar desafios e outras coisas parecidas. O que eu sei é que a gente vive pela misericórdia de Deus e, ao contrário disso, ninguém sabe lidar nem com desafios, nem críticas e nem com nada. Penso que, quando alguém me critica de forma desonesta ou até mesmo ataca a minha honra, a minha reação humana é tomar atitude humana. E por que a gente não toma? Porque é a graça de Deus que nos conduz.
Quando eu olho para a Bíblia e para todos os profetas e homens que Deus levantou para um ministério específico, vejo que nenhum deles teve uma vida boa. Sempre foram criticados, atacados, humilhados, desonrados em praça pública, arrastados, apedrejados e mortos. Um exemplo foi Paulo. Paulo foi vítima da própria igreja. De acordo com as regras, Paulo não poderia ser apóstolo, pois só poderia ser apóstolo quem andou com Cristo, quem viu os milagres, quem foi testemunha da ressurreição e da ascenção de Cristo, e Paulo não viu nada disso, pois ele se converteu depois.
Paulo apanhou, sofreu no meio de seu próprio povo. Um dia ele escreveu: “Desde agora, ninguém me inquiete ou me persiga, porque trago em meu corpo as marcas de Cristo”. Então, ele precisava provar mais o quê e para quem? O apóstolo Paulo era apóstolo pela vontade de Deus e homem nenhum poderia mudar essa história.
Diante disso, quem sou eu para não ser criticada ou perseguida? Só afirmo uma coisa: Deus me chamou e ninguém pode tirar isso de mim.
São 30 anos de ministério e graças a Deus por isso, pois eu posso olhar lá atrás e ver como Deus me escolheu, de onde Ele me tirou e como sofri também com boatos maldosos, mas nem por isso pensei em recuar.
Louvo a Deus pela minha vida, pela força e pela coragem que Ele tem me dado.Sou feliz demais, Deus é fiel e nunca me deixou sozinha em desafio algum. Sou uma pessoa pública, acho que me surpreenderia se alguém não falasse nada de mim ou sobre mim. As pessoas públicas sempre serão alvos de ataques. Eu tenho uma história de vida, eu tenho um ministério abençoado, eu tenho um mandato importante e infelizmente nem todos ficam felizes com o sucesso do seu irmão. O caminho mais curto para alguém ser quem sou, chegar aonde cheguei, estar onde estou, é me atacar! Você pensa que isso acontece só comigo? Não, senhor. É muita gente que enfrenta isso, pessoas de classes sociais diferentes, homens, mulheres, artistas ou não, mas o que mais me entristece é ver como no nosso meio pode existir tanta maldade, coisa que não era para acontecer.
“Não permitirei que ataquem a minha honra”.
Pessoas invejosas, sem projetos de vida, atacam aqueles que se destacam porque não conseguem chegar onde homens e mulheres, comprometidos com Deus, chegaram.
Vou abrir meu coração um pouco mais.

Por amor ao evangelho, por amor à igreja, por causa dessa história de que crente não pode criar escândalos, a gente acaba ficando calado em algumas situações, mas essas coisas andam e chega um determinado momento que a gente se cansa e tem que toma uma atitude.
Eu tenho que ter uma reação, pois é a indignação do justo. O justo tem que se indignar, pois, se eu me calar vai parecer que é verdade, o que não é de forma alguma.
Assim é na lei dos homens, se eu não me indignar o juiz não pode reagir em meu favor.
Eu tenho sim as minhas indignações, por causa de mentiras que saem da boca de muitas pessoas, muitos líderes e também pastores, gente que não tem grandeza de falar olhando nos meus olhos.
Sabe o que a Bíblia diz a esse respeito? “Se tu achas que teu irmão errou, vai até ele. Procura-o para ouvir de sua própria boca se o erro se confirma, Se ele não te atender, volta e vai a ele novamente. E se ainda ele não te atender farás então um conselho para decidir”.
Então, como pode alguém ouvir mentiras, ler mentras na internet, postadas às vezes, por pessoas que não tem o mínimo de compromisso com Deus, nem com a verdade e muitomenos respeito com o próximo e depois disso já sair me atacando, me difamando sem nunca ter me ouvido, sem conhecer a minha verdade e a minha versão.Daí, se a gente não tiver a misericórdia de Deus na vida e não estiver firmada na rocha que é Cristo, a gente acaba abandonando tudo, mas é a graça de Deus que nos faz caminhar.
Sabe pastor Joel, tenho ficado em silêncio diante de muitos boatos maldosos que ouço por aí a meu respeito, esperando que isso passe ou que diminua com o passar do tempo.
Por causa do meu silêncio, muitas pessoas que acompanham a minha vida se incomodaram com esses boatos na internet e até me perguntaram se eu não ia dar satisfação para os fãs. Isso é um absurdo!
A minha vida pessoal só diz respeito a mim e disso eu não abro mão.
Os admiradores do meu ministério sabem quem sou e me respeitam por isso, os que tentam me difamar são aqueles que verdadeiramente não me conhecem.
Veja só o maior de todos os absurdos, a calúnia mais vil e mais nojenta, saiu da boca de um pastor, afirmando que eu estaria grávida. Um ataque covarde a minha honra e ao meu ministério e foi aí que resolvi dar um basta. Esse “pastor” já foi notificado pelo juiz e terá que provar judicialmente a veracidade do que ele falou a meu respeito.
Pastores sem amor, que foram chamados para curar feridas, para acolher, para ajudar as ovelhas, as estão matando. Pastores que estão invertendo a sua missão. Trabalhando contra o Reino de Deus. Eu vivo o que prego e não faria isso porque tenho pricípios e aprendi com a Bíblia, desde a minha infância, o que devo e o que não devo fazer antes do casamento.
Não permitirei que ataquem a minha honra com difamações e calúnias. Quero deixar bem claro que sou divorciada, uma mulher livre, podendo tomar qualquer decisão a respeito da minha vida sentimental. Quero dizer também, que existem muitos divorciados em nossas igreja, pessoas sérias, honradas, que tomam a decisão que consideram melhor para as suas vidas e ninguém tem o direito de julgar ou questionar.
Tenho um compromisso com Deus, com a minha igreja onde sou membro, com o meu ministério e com a minha filha Julia de oito anos de idade, e só tenho que provar para ela que tenho dignidade e com dignidade que vou criá-la.
Decidi reagir. Constitui um advogado criminalista, reconhecido nacionalmente e epecialista nessa matéria. Sua equipe vasculha todos os dias a internet, em meu nome, pois onde for encontrado um texto de ataque a minha honra, nós moveremos um processo criminal, então essas pessoas que falam o que não sabem, julgam sem ter conhecimento de causa, serão obrigadas a desmentir em juízo.
Pastor Joel, você é um jornalista e tem um jornal de uma grande influência no meio cristão, eu gostaria de lhe pedir, que você fizesse uma pesquisa de quantos obreiros estão fora do ministério, quantos jovens estão fora da igreja por irresponsabilidade e falta de amor de algun líderes que só pensam no seu bem estar e da sua família.
Por causa de calúnias, falta de atenção, muitos são os jovens jogados no mundo por serem vítimas de ataquesdentro da própria igreja e alguns deles filhos de pastores. Eu conheço gente que esteve no campo missionário e não quer mais saber da Bíblia, nem da igreja e nem de Deus porque teve sua vida pessoal e sua privacidade invadida com inverdades e foi atacada na sua honra. Se não tivermos a graça de Deus em nossas vidas, o Diabo fica soprando nos nossos ouvidos para abandonarmos o que conquistamos, a vida em abundância que é Jesus. O que mais dói é perder as almas ao invés de ganhá-las para o Reino dos céus.
Continuarei fazendo a minha parte, mesmo passando por tudo isso. Eu só não quero decepcionar o meu Deus, pois foi Ele quem me chamou e eu quero dar conta do meu trabalho. Nesses 42 anos de vida, tenho caminhado com a graça de Deus.
Comemoro os meus 30 anos de ministério dizendo literalmente: “Tô na mão de Deus” e ai de mim se não estivesse.
Por Joel N. Freire / Jornal Anotícia Online
Obs.: É permitido a copia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediárias, inclusive o blog A Notícia Online informando o link www.bloganoticiaonline.com.br.

terça-feira, dezembro 18, 2012

“O STF não cassou ninguém”, explica advogado

Por Jeso Carneiro em 18/12/2012 às 11:06

Oportuno comentário do advogado e procurador de Justiça aposentado Ismaelino Valente, a propósito do post Condenados perdem o mandato, decide STF:
Ismaelino Valente, advogado
Tentando por um pouco de ordem na discussão:
1) O STF não “cassou” o mandato de ninguém. A Constituição veda a “cassação” de direitos políticos e não fala em “cassação” de mandatos. O que a Constituição prevê são os casos de “perda” ou “suspensão” desses direitos, e dentre tais casos arrola a “condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos” (art. 15, III).
2) A Constituição repete, para não deixar dúvidas, que “perderá” o mandato o Deputado ou Senador “que perder ou tiver suspensos os direitos políticos” (art. 55, IV) ou “que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado” (art. 55, VI).
3) Já o Código Penal (aprovado e remendado a toda hora pelo Congresso) diz que são “efeitos” da condenação criminal, dentre outros, a “perda de cargo, função pública ou mandato eletivo”, nos seguintes casos: a) quando a pena privativa de liberdade for igual ou superior a um ano “nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública” (é o caso do mensalão!), e, b) quando a pena privativa de liberdade “for superior a quatro anos, nos demais casos” (também é o caso do mensalão) (v. art. 92, I, “a” e “b”, com a redação dada pela Lei nº 9.268/1996).
4) O Código Penal esclarece que esses efeitos da condenação “não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença” (art. 92, § único, com a redação dada, antes mesmo da atual Constituição, pela Lei nº 7.209/1984, evidentemente recepcionada pela Carta atual).

5) Da conjugação das disposições constitucionais com as do Código Penal, têm-se que, em se tratando de crime contra Administração Pública com pena imposta superior a um ano ou de qualquer crime com pena imposta superior a quatro anos, a “perda” do cargo, função pública ou mandato eletivo é, pois, um “efeito” da condenação e assim deve ser motivadamente declarado na sentença.
6) Só a sentença – vale dizer, só o Judiciário, portanto – é que pode declarar os “efeitos” da condenação. E foi o que o STF fez: declarou, por 5 x 4, os “efeitos” das condenações impostas as deputados mensaleiros, incluindo, dentre tais “efeitos”, a “perda” do mandato eletivo. Defender o contrário, sim, seria uma tentativa de invasão da competência constitucional e legal do STF.
7) A decretação da “perda” do mandato eletivo pela Câmara ou Senado, observado os procedimentos previstos nos §§ 2º e 3º do art. 55 da Constituição, somente é cabível se a “perda” do mandato eletivo não tiver sido declarada na sentença como “efeito” da condenação ou nos demais casos que não os previstos no art. 92 do Código Penal. Aqui entra o exemplo tão citado pelos que ensaiam insubordinar-se contra a decisão do STF: o caso de um parlamentar condenado à pena de menos de 4 anos por homicídio culposo em acidente de trânsito.
8 – Quando a condenação dos deputados mensaleiros “transitar em julgado” (o que só deverá ocorrer após a publicado do acórdão e depois de julgados os recursos, se forem – e serão! – interpostos), o STF comunicará a condenação à Câmara, que tão-somente declarará a “vacância” do mandato, já que a sua “perda” não pode mais ser discutida, eis que é um “efeito” da sentença criminal transitada em julgado, e assim já foi motivadamente declarado na decisão condenatória.
9) No STF não há decisão precrária. Uma vez que a maioria decide – não importa se por um voto de diferença – a decisão passa a ser do Tribunal e ponto final (ressalvados, é claro, os recursos, por via dos quais o Tribunal poderá até vir a modificar a decisão anterior).
10) A declaração, pelo STF, da “perda” do mandato como “efeito da condenação”, portanto, é irreversível – desde que o acórdão condenatório passe em julgado. O acórdão só deve ser publicado em fevereiro ou março de 2013 e os recursos só serão decididos no segundo semestre de 2013 ou em 2014.
11) Enquanto isso, os deputados condenados continuarão no exercício dos respectivos mandatos, quiçá até o fim dos mesmos em 31/12/2014 – se até lá não transitar em julgado o acórdão condenatório do STF.
12) Não poderão, todavia, candidatar-se à reeleição ou a outro cargo eletivo em 2014, pois, nos termos da Lei da Ficha Limpa, uma vez condenados por órgão colegiado, como é o caso do STF, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado, estarão inelegíveis.
13) Não vejo hipótese de crise institucional. O STF não está tirando da Câmara a sua competência e nem a Câmara pode decidir contra expressas disposições constitucionais e legais. Coube aos Constituintes de 1988 e ao legislador infraconstitucional definirem o papel do STF como guardião e intérprete máximo da Constituição e das leis. Ninguém está inventando isso agora.
14) A bravata do presidente da Câmara – de que “não cumprirá a decisão do STF” –, secundada pelas bravatas de quem não manja nada da Constituição e das leis, não passa mesmo de mera bravata. A uma, porque no final de janeiro ele deixa a presidência da Câmara e volta ao “baixo clero”, onde a sua influência será reduzida a praticamente zero pois o novo presidente da Câmara, ao que tudo indica, terá mais juízo, já que não sairá da ala dos camicases petistas; a duas, porque, como destacou Celso de Mello, “o Supremo tem a última palavra na interpretação da Constituição”, ou, na citação que ele fez de Rui Barbosa, “tem o direito de errar por último”.

sábado, dezembro 15, 2012

Dez saberes marinheiros aplicados à gestão

Aproveitando a comemoração do Dia do Marinheiro nesse 13 de dezembro, vou apresentar um artigo temático. Por conta da minha experiência profissional na Marinha do Brasil, onde exerci por mais de dez anos o ofício de Oficial do Corpo de Intendentes, pude recolher daquela centenária e tradicional instituição adágios, máximas ou expressões que representam saberes acumulados pelas experiências cotidianas no campo gerencial daquela comunidade, o que nos permite profundas reflexões e aprendizados

Aproveitando a comemoração do Dia do Marinheiro nesse ensolarado 13 de dezembro, vou apresentar um artigo temático. Por conta da minha experiência profissional na Marinha do Brasil, onde exerci por mais de dez anos o ofício de Oficial do Corpo de Intendentes, pude recolher daquela centenária e tradicional instituição adágios, máximas ou expressões que representam saberes acumulados pelas experiências cotidianas no campo gerencial daquela comunidade, o que nos permite profundas reflexões e aprendizados.
Nessas breves linhas, procurarei trazer algumas dessas frases, que podem ter o seu aproveitamento na vida administrativa fora da caserna, dada as similaridades do móvel das ações humanas no campo da gestão. Eis as frases:
1) TROFÉU PASSÁBOLA: Essa expressão um chefe meu sempre invocava ao se referir aos outros setores que gostavam de passar a bola de suas atribuições estatuídas, recebendo deste meu chefe essa premiação fictícia. Na vida administrativa, é muito comum setores que praticam o hábito de se esquivar de deveres que são regimentalmente seus, ainda que sejam pródigos em abraçar tarefas, que às vezes não são suas, mas que trazem benefícios e louros.
Imagem: Shutterstock

2) LEI DOS RENDIMENTOS DECRESCENTES: Importada das aulas de economia, a gestão naval utiliza essa metáfora para se referir ao funcionário altamente capacitado, motivado e produtivo, que acaba sendo sobrecarregado com insumos crescentes e diversos, dada a sua competência, e com o tempo o seu rendimento começa a cair, ainda que os insumos aumentem. Reflexão interessante, pois os mesmos chefes que sobrecarregam os bons profissionais são os que os abandonam quando eles, fatigados, já não apresentam o mesmo resultado.
3) BOM NAVIO É AQUELE NO QUAL O MARINHEIRO VEM TRABALHAR ASSOVIANDO NO CAIS: Sempre fui para o trabalho cantando mentalmente. O servidor satisfeito com o ambiente se materializa na alegria no momento da chegada, pela manhã, no "Bom dia" esfuziante e na disposição das primeiras horas da manhã. Essa motivação se converte em comprometimento, produtividade e em um clima saudável para todos. Definitivamente, o bom lugar para se trabalhar é feito de pessoas que chegam assoviando. E isso, não tem preço.
4) A CABEÇA PENSA DE ACORDO COM O ASSENTO: Não existe a mais pura verdade. Quantos que bradam por mudanças na condição de subalternidade e quando se veem alçados as situações de gerência, mudam seu discurso, adaptando a sua cabeça ao novo assento. É importante não esquecermos nosso passado, para não repetirmos erros que eram objeto de nosso reclame.
5) QUANDO O ESFORÇO NÃO É MEU, O EMPENHO É MÁXIMO: Somos, como seres humanos, exímios em recomendar a excelência em tarefas conduzidas por terceiros, guardando para nós uma régua mais branda. Assim, quando envolve nosso esforço, somos condescendentes, mas somos implacáveis quando o fardo cabe ao próximo, esquecendo a indulgência, como um valor organizacional que nos convida a nos colocar no lugar do outro.
6) QUANDO PEGA, NÃO FICA UM: Todos aqueles que nas difíceis decisões que envolvem riscos endossam as soluções mais arrojadas, sem se comprometer, diante da materialização do erro, rapidamente se convertem em acusadores. Aí, vêm os chavões: "Não entendi bem que era isso...", "Fui mal assessorado". Quem detém o ônus da decisão é o responsável e deve saber que a divisão de responsabilidade deve se dar antes dos problemas eclodirem, pois depois, não fica um companheiro.
7) COMANDANTE FELIZ, NAVIO FELIZ: Se existe uma máxima verdadeira é essa. Quando o dirigente máximo está satisfeito com os rumos tomados, tudo flui naturalmente. Parece meio patrimonialista essa visão, mas no mundo real, seja no público ou no privado, a nossa condição humana nos empurra para atender a vontade do dirigente. A questão é quando essa vontade do dirigente se faz dissonante dos objetivos da organização, o que causa grandes espetáculos de ineficiência.
8) MAIS VALE UM AMIGO NO GABINETE DO QUE DEZ DIAS DE CAPACETE: Taí mais uma máxima de raízes patrimonialistas, mas que se revela cotidiana no país do "homem cordial", discutido por Sérgio Buarque de Holanda. As relações pessoais, a indicação, tudo isso pesa muito na vida administrativa. A despeito de diplomas e currículos, ter trabalhado com uma pessoa e nela ter deixado boa impressão é um fator de avaliação fundamental, dado que o testemunho é uma grande garantia de dotes profissionais. Indicação também é um critério...
9) ORDEM ERRADA NÃO SE CUMPRE: Esse adágio se confronta com o valor máximo da hierarquia, no famoso "cumpre e depois pondera". Bem, obedecer cegamente é colocar nos ombros da autoridade toda a responsabilidade e nos isentar de um dever implícito de quem é subordinado, que é avisar, do seu ponto de vista, riscos e dificuldades, na famosa assessoria.
10) TÁ TUDO SAFO, CHEFE: Por fim, o aprendizado de que não podemos entulhar o chefe de problemas e sim de soluções. Para cima, temos que passar a tranquilidade do domínio da situação, para que o alarmismo não assombre a gestão. Obviamente, não nos referimos aqui a varrer a sujeira para baixo do tapete, já que ela volta depois, mas sim evitar a prática de por coisas poucas "estressar" os sistema.
A vida militar, em especial a marinheira, tem peculiaridades do sistema burocrático, do confinamento do navio, da síntese da vida e saberes desses homens do mar, que produz reflexões interessantes, que tem muito a ensinar a gestão pública e privada. Precisamos romper essa visão que o púbico só aprende com o privado, pois em todo local no qual pessoas trabalham, se produz conhecimento gerencial, útil e aproveitável.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Metas: ter ou não ter, eis a questão

Quando meu primeiro filho estava para nascer, eu não tinha emprego. Minha meta, se é que podemos chamar assim, era ter condições de comprar leite e fralda. E, acredite, a maior parte das coisas que conquisto é porque ainda penso que preciso comprar leite e fraldas, e não porque traço metas mirabolantes

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Metas são excelentes para quem quer crescer na vida e nos negócios. O problema é que as metas, se não forem bem trabalhadas, mais paralisam do que impulsionam as pessoas.
Eu gosto de metas, mas sei o quanto elas podem fazer mal quando não são bem delineadas e explicadas aos colaboradores. Sou a favor de termos metas e também comungo da ideia de que elas devem ser desafiadoras. Porém, vou dizer algo que você não lê com frequência: "para a maioria das coisas grandes que a gente conquista na vida, não tínhamos metas ousadas ou sequer tínhamos alguma".
Quando meu primeiro filho estava para nascer eu não tinha emprego. Minha meta, se é que podemos chamar assim, era ter condições de comprar fralda e leite para ele, afinal, raramente alguém no fundo do poço consegue pensar em metas desafiadoras. O que a gente quer mesmo é ser capaz de manter o sustento básico. Com paciência e persistência as coisas foram mudando e, acredite, a maior parte das coisas que conquisto é porque ainda penso que preciso comprar leite e fraldas, e não porque traço metas mirabolantes.
É claro que entendo que precisamos pensar grande, desejar mais da vida, contudo, falar isso para quem não tem grana nem para um pacote de fraldas não tem o mesmo som de quando falamos para quem já está num patamar mais elevado.
Esta é sua meta! (Foto: Shutterstock)

Para mim, as melhores metas são aquelas que não focam em dinheiro, em volume de vendas ou produtividade. Se você falar para um vendedor que ele tem que vender um milhão de reais por mês, isso pode assustá-lo e não surtirá o efeito que a empresa deseja. Já se ele tiver como meta que sua família sinta orgulho por ser o melhor vendedor do mês e poderão ter uma farta ceia de Natal seu empenho será totalmente diferente. As empresas estão errando em dar metas para seu pessoal focando no quanto eles têm que vender ou produzir. Os líderes têm que compreender que devem mostrar o quanto os colaboradores vão ganhar, e não no quanto a empresa quer vender.
Deste modo: em vez de dizer "precisamos vender um milhão de reais este mês", devem falar: "quero que cada um ganhe 10 mil reais por mês, pois assim poderão comprar o carro dos sonhos, a casa própria, o brinquedo do filho. Portanto, façam suas contas e vejam quanto precisam vender/produzir".
Paulo, mas e os que não desejarem ter ou dar isso à família? Simples, aí você decide se deve ficar com eles, pois fazem um bom trabalho, mesmo não tendo ambição de crescer, ou se os demite, caso precise de pessoas mais arrojadas, ambiciosas.
Você, colaborador, foque diferentemente as suas metas. Não pense em ganhar dinheiro e mais dinheiro. Pense em colocar mais sorrisos no rosto dos seus clientes, e no rosto de quem ama, em dar conforto à sua família, em comprar a bicicleta nova para o filho, ou, de pelo menos dar a ele um tênis novo para ir ao colégio. Isso é muito mais valioso do que bater metas da empresa. Modificando o foco você tem muito mais condições de bater qualquer outra meta que receber.